quarta-feira, março 22, 2006

Eu e Saramago

Acabei de ler na semana passada o livro Intermitências da Morte, de Saramago.
Confesso que não sou fã do nosso prémio Nobel. Tenho mesmo alguns problemas com o seu estilo de escrita. Lembro-me que no oitavo ano tive que ler o Envagelho Segundo Jesus Cristo e que odiei. Para dizer a verdade já não me lembro de ABSOLUTAMENTE nada sobre o livro mas lembro-me, e bem, que na altura aquilo foi para mim um suplício. Talvez não tivesse maturidade para o ler... Não sei.
Depois, aqui há uns quatro anos ofereceram-me a História do Cerco de Lisboa. Comecei mas não acabei. Não consegui.
E há dois anos li o Todos os Nomes. Deste já gostei mais. Achei a história muito interessante e foi isso que me fez lê-lo todo e não propriamente a escrita de Saramago.
E eis que, mesmo com todos os problemas que tenho ao ler Saramago, resolvi ler o Intermitências da Morte. Primeiro porque achei a ideia do livro super interessante: Como é que seria a nossa vidinha se, de repente, as pessoas deixassem de morrer? E depois porque se falava tanto sobre o livro que me despertou a curiosidade.
E li-o. Ao princípio debati-me com o choque que é voltar a pegar num livro de Saramago e encontrar aquela narrativa longa, pesada, sem pausas...Mas depois de me ter (re)habituado... foi a loucura! :)
É que adorei o livro. Para já a história. Faz-nos pensar que há males que existem para evitar "piores" e a forma como o caos que se segue à inexistência de morte é descrita... é muito realista. E crítica. E depois, e isso é que adorei neste livro, é que, apesar das frases de DUAS páginas, Saramago descreve certas situações de uma maneira tão fantástica que começamos a visualizar uma situação, impossível de acontecer, de forma tão realista que faz até impressão. Que um autor nos consiga fazer visualizar algo de forma quase física é extraordinário. Agora, quando isso acontece em relação a uma realidade não existente...
A sério, o livro tem passagens deliciosas. Palavras escolhidas (vê-se bem) com precisão extrema. Tinha que ser aquela palavra. Um sinónimo não servia. Não teria o mesmo efeito.

Portanto já sabem... Leiam!
E se for preciso eu empresto, que isto dos livros é mesmo para isso que servem: para ficarem velhos de tanto serem emprestados :)

Agora estou sem leitura. Tenho um livro de sudoku que me tem acompanhado nas viagens de comboio. Alguém tem sugestões?

1 comentário:

Eros disse...
Este comentário foi removido pelo autor.