terça-feira, janeiro 16, 2018

Verdade

Não espero muito das pessoas. Em geral nada, até.
Opto por deixar à porta quase todos os que, por acaso, ou intencionalmente, se perdem até à minha morada.
Mas daqueles que entram na minha vida, desses espero tudo. Nunca mais do que aquilo que dou.

Não foi preciso crescer muito para perceber que não me identificava com a maioria das pessoas. Se a certa altura isso me perturbou, à medida que me fui conhecendo e percebendo o meu caminho, passei a aceitar (e abraçar) a frase que tantas (e tantas) vezes ouvi: "És uma pessoa difícil de ler".

Hoje acredito que há um propósito em todas as pessoas que cruzam o nosso caminho. Não próprio nem deliberado (ainda que assim o pensem), mas decidido pelo Vida e a aprendizagem que para nós está preparada.
Somos, Todos, peões na vida uns dos outros.
É aqui que me encontro agora. Com esta percepção e certeza de que nada é por acaso. E com tamanha convicção vem a força e a intensidade de sentir que dos poucos a quem me dou realmente a conhecer, espero que nunca, mas nunca, questionem a minha essência.
Procuro viver em verdade. E as mentiras que na minha vida existem são, quando muito, as que digo a mim mesma.
Daí nada ser mais castigador do que perceber em alguém que entrou no meu mundo a incapacidade de, diante de mim, realmente me ver.



Por isso, olha-me nos olhos quando falo Contigo. É neles que me vais encontrar.

Se soubesses...
Como são adagas as palavras que, olhos nos olhos, espetas em mim... Por certo te calarias, seguro que apenas mais uma e deixarias de ver no meu olhar o brilho da Verdade que vejo em ti.




sábado, dezembro 23, 2017

Sim, eu sei




Tu     Que falas comigo - às vezes durante o sono, outras quando de olhos abertos apenas te sinto mas ver-te não sou capaz,
Tu     Que me dizes "coisas", mesmo quando não as quero ouvir - e da minha relutância fazes a tua insistência,
Tu     Que por vezes sussuras, outras gritas - mas nunca em ti calas o que queres dizer,
Tu     Que sempre (mas sempre) aqui estás mesmo quando por momentos te peço ausência,
Tu     Que parte de mim és, sem que em mim alguém te veja,
Tu     Que do aviso fazes caminho, do caminho penitência,
Tu     Que em mim estás...

Por favor, Diz-me agora o que já sei. Apenas para que apaziguado fique o meu espírito e tranquilo o meu ser.

segunda-feira, novembro 06, 2017

Hoje... Tu

Acredito no poder da palavra.
Respeito-a. Muito.
Porque não esqueço as que me dizem, procuro não dizer o que não sinto, preservando ao máximo o significado, a essência, o valor de cada uma.

Desculpa. Obrigado. Amo-te.
São três palavras absolutamente mágicas.

Hoje, minha irmã, deixo-te as três.


Desculpa se momentos houve em que não estive lá para ti. Se de tão dormente pelo meu próprio viver, falhei em ver a mão que não esticavas mas que, encostada ao teu peito, aguardava a minha para a puxar.

Obrigada por tudo o que és:
A mulher linda, sedutora, forte, íntegra.
A amiga que em segundos, a qualquer hora, se enfia no carro e vem em auxílio.
A filha preocupada que cuida, protege, retribui.
O furacão que leva tudo pelo ar e a todos deixa em desalinho apenas porque não consegue calar dentro de si a força da sua verdade.
O ser humano extraordinário na sua luta constante para ser Mais, Melhor.
Obrigada por honrares a tua essência e não recusares as duras lições.

E por fim: Amo-te.
Estás em mim para sempre.

Hoje, comemoramos a tua Existência.

sábado, outubro 14, 2017

Branco, vermelho, cinzento

A cada folha a chama aumentava. Cores diferentes, como se cada uma se alimentasse das palavras que o calor destruía.

Promessas, juras, desejos...

Em minutos o puro branco era cinzento. E o vermelho que tudo consome, não poupa, nem as mais bonitas,  nem as mais repetidas palavras.

Promessas, juras, desejos...

Dias depois, com o objectivo de devolver o cinzento ao Imenso Azul, encontro pedaços que o fogo não queimou. Pedaços de branco que de tão puros não houve vermelho que os tingisse.

Decido não questionar o quê ou o porquê de tal boicote. Escolhi o fogo por ser antagónico a mim. Pouco criterioso, devastador, devia cumprir o efeito e, sem selecções, dizimar promessas, juras, desejos.
Traiu-me e parece que não só ignorou a sua natureza democrática, como escolheu, melhor do que eu alguma vez poderia fazer, as palavras que não quis queimar.

quinta-feira, setembro 07, 2017

Doce castigo

Gosto de sentir a água gelada nos ossos. O frio que primeiro o meu corpo rejeita e depois abraça como se dele precisasse.
Hoje deixei-me ficar quieta enquanto as ondas batiam em mim. Não dei um passo em frente para evitar a rebentação, não elevei o corpo à passagem das vagas nem mergulhei por baixo delas.
Quieta apenas, enquanto uma após outra, esbarravam em mim as ondas do imenso azul.


Como um aluno que entrega a mão à palmatória, receoso da dor mas certo de a merecer,

sábado, julho 08, 2017

Oiço-te

Em cima do muro.
Não é a primeira vez que aqui estou.
Em todas elas odiei aqui estar.

Sentada, pernas caídas ora para um lado, ora para outro. Às vezes em pé, para trás e para diante, teste de equilibrista passado.

Dividida. Duvidida.
E perdida... e questionada... e incerta.

Em cima de um muro que eu própria ergui, tijolo a tijolo. Todas as pedras fui eu quem as encaixou, decisão a decisão, palavra a palavra, passo a passo.
Um muro que separa dois mundos. Ambos meus . Ambos válidos porque válidas são todas as escolhas e se julgamentos não faço, julgamentos não espero.

Um muro que cresce mais e mais a cada dia, sempre que protelo dele descer... ou para um lado ou para outro.
E se no equilíbrio teimo, certa estou que um momento de distracção me fará cair e tomar a decisão que evito -  obrigada, forçada, pelo rumo de um dos dias que vão chegando sem parar.

Balanço tomado. Descer não chega. Há que saltar. Determinada mas igualmente receosa pois sei que escolhido o terreno, perderei de vista o que ficará do lado de lá.


Vamos.
A minha intuição nunca me falhou mas eu já falhei à minha intuição.

domingo, julho 02, 2017

É Real

Quando à noite me encontras, o que fazes?

Como tocam os teus dedos no meu cabelo? Gentilmente, deslizando pelo ondeado das minhas madeixas? Ou com firmeza, segurando as raízes, puxando para trás a minha cabeça e deixando exposto o pescoço?

Como o beijas de seguida? O pescoço?
Com delicadeza, beijos suaves e boca semiaberta Ou vorazmente? Com um apetite que não conheço em mais ninguém, mordendo, arrastando os dentes pela pele que, marcada, se arrepia a cada toque?

Que me sussurras ao ouvido? Que sou tua e que mais ninguém me terá? Que depois de ti o meu corpo jamais responderá a outro toque que não o teu?


Quando à noite me encontras, desejas não acordar?
Para que viva em ti a memória que a dormir se torna, novamente, real.