segunda-feira, agosto 10, 2009

Tenho tudo comigo

Tenho memória selectiva. As coisas más ficam no passado. Comigo fica apenas o nevoeiro de uma tempestade que passou.

Às vezes o nevoeiro é muito denso. Dessas tempestades apenas guardo uma ideia do que se passou, como se uma frase me tivesse sido pedida para resumir o incidente e com ela organizasse ideias num arquivo bem dividido e estruturado. Não conheço promenores. Não sei muito. Apenas aquela frase.

Outras vezes o nevoeiro é menos denso. E aí há mais memórias pelo meio. Mas nunca as suficientes para reconstruir a situação.

Dizem que isto é bom. Poupa-me angustias e liberta-me de dores desnecessárias.

Mas não são as memórias que nos definem? Se algum processo automático que não controlo e desconheço dita que apenas guardo as recordações das coisas boas... que diz isso de mim??? Que não encaro os meus problemas? Que os evito? Porventura que repetirei erro, atrás de erro,atrás de erro, por não ter comigo a memória que nos permite aprender com os passos dados em falso...

Não sei... Acho que a memória selectiva não é coisa boa. Mas a verdade é que se a falta de memória para as coisas más é um recurso do sistema operativo para poupar espaço para as memórias boas... aí talvez valha a pena. Porque as coisas boas recordo-as com pormenores. Todos. Datas, cores, cheiros, roupas, frases... Fica tudo. Tenho tudo comigo.

2 comentários:

ACS disse...

Giro giro é tentar perceber o que está por trás disso. O que te inspirou a escrever isto.

Mukkinha disse...

:)

Constatação. Só isso. Juntar um mais um e perceber que afinal são dois. Já sabia. Nunca tinha constatado!

:)