sábado, julho 08, 2017

Oiço-te

Em cima do muro.
Não é a primeira vez que aqui estou.
Em todas elas odiei aqui estar.

Sentada, pernas caídas ora para um lado, ora para outro. Às vezes em pé, para trás e para diante, teste de equilibrista passado.

Dividida. Duvidida.
E perdida... e questionada... e incerta.

Em cima de um muro que eu própria ergui, tijolo a tijolo. Todas as pedras fui eu quem as encaixou, decisão a decisão, palavra a palavra, passo a passo.
Um muro que separa dois mundos. Ambos meus . Ambos válidos porque válidas são todas as escolhas e se julgamentos não faço, julgamentos não espero.

Um muro que cresce mais e mais a cada dia, sempre que protelo dele descer... ou para um lado ou para outro.
E se no equilíbrio teimo, certa estou que um momento de distracção me fará cair e tomar a decisão que evito -  obrigada, forçada, pelo rumo de um dos dias que vão chegando sem parar.

Balanço tomado. Descer não chega. Há que saltar. Determinada mas igualmente receosa pois sei que escolhido o terreno, perderei de vista o que ficará do lado de lá.


Vamos.
A minha intuição nunca me falhou mas eu já falhei à minha intuição.

2 comentários:

Eros disse...

E se congeminares algo além da descida ou do salto... Voa!

FValente disse...

Tenho feito voos curtos mas preciso por os pés no chão.
Sou terra :)